Uma viagem de 1783

Tivemos o prazer de criar o novo site do projeto “Viagem Filosófica ao Brasil por Alexandre Rodrigues Ferreira” da Academia das Ciências de Lisboa.

Este site dá a conhecer a todos, de uma forma mais próxima, a história sobre esta viagem. Umas das mais ambiciosas investigações científicas ao Brasil, onde virtualmente, podemos conhecer a coleção que está disponível, fisicamente, no Museu Maynense, na Academia das Ciências, em Lisboa.

Há cerca de 200 anos, na qualidade de naturalista de D. Maria I, a mando de Melo e Castro ( Secretário de Estado dos Negócios e da Marinha), Alexandre Rodrigues Ferreira foi incumbido de realizar uma expedição cientifica (daí o termo “viagem filosófica”) pelas capitania do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá, no Brasil.

Alexandre Rodrigues Ferreira

Com parcos recursos, Alexandre Rodrigues Ferreira, acompanhado pelos desenhadores ou ‘riscadores’, José Codina e José Joaquim Freire, e o jardineiro botânico, Agostinho do Cabo, aportou em Belém do Pará, em outubro de 1783.

Dos milhares de exemplares naturais e etnográficos que Alexandre Rodrigues Ferreira enviou do Brasil para Lisboa, em finais do século XVIII no decorrer da sua Viagem Filosófica, restam apenas os que se encontram no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, no Museu Nacional de História Natural e da Ciência e na Academia das Ciências de Lisboa.

A Amazónia, onde esta expedição foi realizada, ainda hoje é a maior reserva de biodiversidade do Mundo. É urgente preservá-la. A ideia de preservação da natureza está patente nos corações de todos os povos indígenas. É disto testemunho a carta do índio Seattle (1855), de onde se extrai o seguinte trecho:

« (…) Qualquer parte desta terra é sagrada para meu povo. Qualquer folha de pinheiro, qualquer praia, a neblina dos bosques sombrios, o brilhante e zumbidor inseto, tudo é sagrado na memória e na experiência de meu povo. A seiva que percorre o interior das árvores leva em si as memórias do homem vermelho (…)»

« (…) Onde está o matagal? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. O fim do viver e o início do sobreviver.»

Esta exposição contou com a colaboração da Prof.ª Doutora Maria Salomé Pais, os técnicos superiores Sérgio Lourenço, Diana Carvalho e António Teixeira e os bolseiros Diogo Mota, Marta Santos e Maria Inês Alves a quem muito agradecemos.

Um agradecimento é devido também à Diretora do Museu de História Natural e da Ciência de Lisboa, Doutora Marta Lourenço, e à Doutora Ana Isabel Correia pela cedência de imagens de folhas de herbário de Alexandre Rodrigues Ferreira.

Projeto completo aqui.
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